segunda-feira, 1 de abril de 2019

Bolsonaro vai a Israel sob incógnita de transferência de embaixada.

Esta reportagem da agência francesa AFP, divulgada no site da revista EXAME, baseia-se, em parte, nas minhas reflexões sobre a questão da mudança da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.



O presidente Jair Bolsonaro inicia no próximo domingo uma visita de três dias a Israel, seu aliado-chave junto aos Estados Unidos, sem deixar claro se levará adiante a polêmica transferência da embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. A visita é de grande relevância para os dois países.
Bolsonaro deverá pesar o risco de perder apoio da influente bancada evangélica se adia a transferência da sede diplomática ou de perder mercados nos países árabes caso cumpra a promessa, irritando seus aliados do agronegócio.
Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a visita servirá para mostrar o apoio de um grande país em plena campanha eleitoral, após ter obtido o reconhecimento dos Estados Unidos à anexação das Colinas de Golã, tomadas da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Os dois países não detalharam ainda o cronograma ou os assuntos que serão tratados na visita, mas o Brasil deve tentar fortalecer suas exportações, principalmente de soja e carne, e fechar acordos para o uso de tecnologia de ponta israelense, especialmente na produção de água potável para oNordeste brasileiro.
Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, também mostrou interesse em intensificar a cooperação militar para ter acesso aos sofisticados equipamentos de defesa israelenses.
“Tecnologias que não traríamos se não conseguíssemos elevar o patamar da relação com Israel. As coisas não existem de graça”, declarou nesta quarta-feira o chanceler Ernesto Araújo, um representante da “ala ideológica” do governo, que busca promover o Brasil como um aliado de outros governos nacionalistas e ultraconservadores.
Em 2018, as exportações brasileiras para Israel totalizaram 321 milhões de dólares, enquanto as importações, especialmente de fertilizantes e produtos químicos, somaram 1,168 bilhão de dólares, segundo dados do governo brasileiro.

Risco de conflito

Durante a campanha eleitoral e após tomar posse, Bolsonaro prometeu a transferência da embaixada para Jerusalém, seguindo os passos do presidente americano, Donald Trump.
Mas a promessa foi esfriando diante dos sinais de possível retaliação comercial por parte dos países árabes, grandes compradores de açúcar e carne “halal” (de animais sacrificados segundo o rito muçulmano) produzida no Brasil.
Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os 22 países árabes são o quarto maior parceiro comercial do Brasil e o terceiro destino de produtos do agronegócio brasileiro.
As exportações brasileiras para os países árabes em 2018 somaram 11,486 bilhões de dólares, enquanto as importações totalizaram 7,626 bilhões de dólares.
Araújo declarou na semana passada que o governo brasileiro “ainda estuda” a transferência e avaliou que seria um movimento positivo, como parte da contribuição do Brasil à paz e à estabilidade no Oriente Médio.
O embaixador palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben, advertiu na terça-feira que uma eventual transferência da embaixada para Jerusalém seria uma “agressão desnecessária”, que poderia tornar o Brasil em “parte de um conflito”, em detrimento de sua tradicional neutralidade diplomática.
Alzeben disse ainda que o presidente palestino, Mahmud Abbas, espera receber o líder brasileiro nos territórios palestinos durante a próxima visita à região.
Paulo Kramer, professor da Universidade de Brasília (UNB), avaliou que a transferência da embaixada “obviamente isso teria um peso simbólico muito importante”, mas destacou que Bolsonaro não estabeleceu umcronograma.
“A diplomacia de Bolsonaro está se alinhando como a política que os Estados Unidos estão fazendo no Oriente Médio, de buscar desatrelar a questão da paz da questão israelense-palestina, e fazer os países sunitas se convencerem de que uma aliança com Israel ou pelo menos uma situação menos beligerante com Israel ajudaria a fazer uma frente comum contra o Irã, a grande potência xiita”, declarou Kramer.

O dilema de Bolsonaro

A ideia de importar um conflito desagrada a ala militar do governo, em um país onde há uma boa convivência entre as comunidades muçulmana e judaica.
Mas adiar a questão irritaria a bancada evangélica no Congresso, que deu um apoio fundamental a Bolsonaro nas eleições e é essencial para a aprovação da reforma da Previdência.
“Se não anunciar agora, na viagem, vai frustrar as expectativas de parte de seus eleitores e pode gerar um mal-estar na bancada evangélica”, disse à AFP o deputado Marcos Pereira, presidente do grupo parlamentar de amizade Brasil-Israel.
Para Netanyahu, a visita de Bolsonaro é um forte apoio em seu desafio eleitoral de 9 de abril contra o centrista Benny Gantz.
“Esta visita vai servir para Netanyahu demonstrar antes das eleições que tem amigos em todo o mundo”, explicou à AFP Raphael Eldad, embaixador de Israel no Brasil entre 2011 e 2014.
Matéria na íntegra:

sexta-feira, 29 de março de 2019

Pensa Brasil, minha coluna da Rádio Band News.




Minha coluna radiofônica desta semana (25/03 a 29/03)


“Pensa, Brasil! Com Paulo Kramer” 

Horário: Terças e quintas-feiras, às 12h37, com reprise às 17h57, na BandNews-FM.


Clique aqui para ouvir.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Dados: Câmara se organiza por bancadas, não partidos

Vejam aqui interessante e recente estudo do meu amigo Pedro Fernando Nery, consultor legislativo do Senado Federal, sobre a relevância política das chamadas bancadas temáticas (frentes parlamentares, como a agropecuária, a evangélica etc) em confronto com as estruturas partidárias e seus respectivos líderes. No site do Senado (www.senado.leg.br), vocês encontrarão outros trabalhos do Nery, seção de “Textos para Discussão” da consultoria: reforma da previdência, finanças públicas etc. Um craque!



    




 Um debate sobre governabilidade marca o início do novo governo: o Presidente deve priorizar os partidos tradicionais nas negociações, ou continuar investindo nas chamadas bancadas?
    Há muito observadores do Congresso apontam que essas bancadas temáticas vão ganhando protagonismo à custa da fragmentação partidária. O problema é que elas são organizações informais, difíceis de definir.
Um esforço inédito de identificar essas bancadas é apresentado na imagem acima. Ela é uma rede com os deputados da última legislatura, isto é, os deputados que atuaram entre 2015 e 2018. Cada ponto é um deputado.
    Um deputado aparece conectado a outro se tiverem apresentado juntos alguma proposta, como um projeto de lei. Essa colaboração é opcional: deputados podem apresentar sozinhos uma proposta, ou podem se juntar como coautores para fortalece-la ou por qualquer outra razão.

    Por exemplo, Jair Bolsonaro apresentou mais propostas junto com Eduardo Bolsonaro. A conexão entre Jair e Eduardo é uma. No total desta rede são mais de 30 mil conexões! 
    Deputados mais conectados aparecem em tamanhos maiores. O mais importante é a divisão da rede. Os deputados estão divididos em “comunidades”. Cada comunidade é um grupo de deputados que possui mais conexões entre si do que com os demais. 

Ou seja, são deputados que trabalham mais juntos. Como grandes panelinhas de parlamentares. 

    Nos Estados Unidos, uma rede como essa gera duas comunidades principais: democratas e republicanos. Em diversos outros países em que essa metodologia foi empregada, a divisão da rede de coautores de projetos (cosponsors) se dá de acordo com partidos. 
Isto é, as panelinhas de deputados nesses países são simplesmente os próprios partidos. Clique aqui para ver a compilação do pesquisador François Briatte. 
Não funciona assim na Câmara dos Deputados do Brasil.

    As centenas de deputados se organizaram entre 2015 e 2018 principalmente em grupos que não traduzem os partidos. São as bancadas. 
    Na imagem acima, apresentamos as bancadas em verde. Algumas comunidades têm base em partidos, elas são apresentadas em azul. 
    A maior bancada é a bancada evangélica. Esta comunidade é maior do que qualquer partido e é “densa”. Isso quer dizer que a bancada é coesa: seus parlamentares têm muitos laços entre si. 
    Por exemplo, mais de 40 deputados desse grupo apresentaram juntos um projeto para sustar ato do governo contra a discriminação de travestis e transexuais em estabelecimentos de ensino. Orientação sexual e aborto são alguns dos temas que juntaram vários deputados dessa bancada. Um dos mais importantes é o projeto que pode tornar crime de responsabilidade ministros do STF “usurparem” competências do Congresso em temas como aborto ou descriminalização das drogas. Jair Bolsonaro foi um dos 5 parlamentares mais “centrais” desta bancada, isto é, está entre os mais conectados.



Na imagem abaixo, que mostra apenas a bancada evangélica, Bolsonaro é o ponto destacado.

Bancada evangélica e Bolsonaro












Assim, enquanto boa parte da opinião pública via o deputado como um parlamentar desimportante de um partido pequeno, ele era na verdade um dos deputados mais centrais do principal grupo da Câmara.

Há uma segunda bancada importante: a ruralista, que também se destaca pelo seu tamanho e coesão. Um dos casos mais interessantes é a “bancada do Rio”, o único estado a formar uma, tipicamente exigindo recursos federais para o Estado.

Chama também a atenção a bancada da bala. Apesar de toda a ênfase dada pela opinião pública, ela é na prática uma bancada pequena. Talvez até faça barulho, mas se mobiliza pouco para apresentar projetos ou requerimentos. Ela não deve ser comparada, como frequentemente é, com a evangélica e a ruralista, que são muito mais organizadas.

Quanto aos partidos, existem 5 comunidades na rede que, embora não se confundam com partidos, são baseadas neles. São grupos compostos por vários deputados de um mesmo partido, mas não

exclusivamente. Além disso vários dos deputados deste partido pertencem a comunidade.

É   o que ocorre com PT, PSB, PSDB e DEM. É como se neles houvesse um núcleo duro com pautas mais definidas, normalmente trabalhando com alguns membros de outros partidos. É isso que as comunidades em azul na imagem representam.


O PSOL é uma exceção: todos os seus membros de fato estão no mesmo grupo. Ele seria o partido mais orgânico da Casa, aquele que tem os deputados que mais “jogam juntos”.

Veja que vários partidos grandes não aparecem na rede, como MDB, PR, PP ou PSD. Seus membros tiveram poucas atividades em conjunto.

Além das bancadas e dos grupos baseados em partidos, há ainda 2 tipos de comunidade na rede. Os em amarelo são grupos de líderes de diferentes partidos, que por conta do regimento interno da Câmara devem cooperar para que algumas soluções sejam encaminhadas. Por isso, líderes partidários tendem a trabalhar formalmente mais com outros líderes partidários do que com seus próprios correligionários.

Por fim, na cor cinza, estão grupos de deputados de origem partidária heterogênea, e que não se especializam em um tema, e por isso não podem ser chamados de bancadas (como a evangélica ou a ruralista). Eles atuam juntos em pautas diversas. Chamo eles de “Centrão”.

Apesar da importância das bancadas na organização da atuação dos membros da Câmara, em contraste com dezenas de países em que a organização da rede de coautorias de propostas se dá por partido, não é óbvio que elas garantam a governabilidade.

Isso tanto porque os líderes partidários têm monopólio para enquadrar os parlamentares quanto porque é possível que as bancadas apenas organizem a apresentação de propostas, mas não sua votação. Na hora do plenário, o “sim” ou “não” pode reduzir a Câmara a dimensões partidárias, a partir do eixo governo-oposição.

Apesar da renovação da Câmara, há muitos reeleitos em várias das bancadas, o que sugerem que a estrutura da imagem acima permanece. Mas novas comunidades vão inevitavelmente se

formar, especialmente com a chegada do PSL e do Novo na Câmara.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Minha estréia na Rádio BandNews-FM

Aos que não acompanharam ao vivo, abaixo está o link da minha estréia como comentarista na rádio BandNews-FM no jornal do meio dia.

Por favor, críticas e sugestões são sempre bem-vindas! Muito grato e um forte abraço para todos!

Começa aos 14:40. 


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Itamaraty retorna aos clássicos: ótima notícia!

Vejam aqui a matéria que o repórter Ricardo della Coletta publicou sábado último, dia 16 de fevereiro, no site da Folha de S. Paulo, acerca da mudança curricular no Instituto Rio Branco/Ministério das Relações Exteriores:


Para quem se interesse por aprofundar a questão, segue, agora,  a íntegra da minha resposta ao jornalista, que me procurou em busca de subsídios para a reportagem. (Como sempre ocorre, por razões editoriais e falta de espaço, apenas um pequeno trecho da minha resposta foi publicado.):

 Não sou especializado em matérias 'técnicas' da política externa e das relações internacionais do Brasil; por isso, não opinarei sobre o remanejamento dessas disciplinas na grade curricular do IRBr, mas sou totalmente favorável ao estudo dos clássicos do pensamento ocidental baseado em leitura atenta e discussão séria dos chamados Grandes Livros da nossa tradição de raízes  judaico-cristãs e greco-romanas.

Um clássico -- Platão, Aristóteles, Virgílio, Cícero, Agostinho, Tomás de Aquino, Marsílio de Pádua, Maquiavel, Hobbes, Locke, Montesquieu, Burke, Madison, Balzac, Tocqueville, Dostoiévsky, Weber, Mann, Eliot, Strauss, Voegelin etc -- nuca sai de moda, é sempre atualíssimo por  dirigir-se a questões de perene validade para a condição humana, para a vida dos indivíduos e das coletividades: quem somos? De que modo devemos viver? Etc.Num mundo que se transforma a uma velocidade vertiginosa, em que o relativismo solapa as nossas tradições, herdeiros que somos, repito, do legado do Ocidente, são justamente os clássicos que fornecem aqueles raros e preciosos pontos fixos de apoio que permitirão a todos nós, inclusive aos jovens futuros diplomatas, construir uma perspectiva sólida, lúcida, bem informada, indispensável para compreender e atuar sobre os desafios -- domésticos e internacionais -- de hoje, de amanhã e de sempre. Chega de superficialidades novidadeiras empacotadas como a verdade da vez, ao som do dernier cri dos sacerdotes (não raro também inquisidores) do politicamente correto; do irracionalismo obscurantista travestido de racialismo, gayzismo, feminazismo, multiculturalismo, enfim, de pós-modernismo; dos frutos podres da cabeça dos intelectuais orgânicos da mobilização do ressentimento, disseminados pelos  e seus fieis repetidores  no comentariado midiático!

Como eu costumava explicar aos meus alunos de graduação e pós-graduação na UnB, diante do magnífico legado de sabedoria dos Grandes Livros não passamos de pigmeus intelectuais; porém, o anão que ousa subir nos ombros de gigantes acaba enxergando ainda mais longe do que eles.

Por último, mas não em último, aqui está o background sobre o projeto dos Great Books, que enviei a Della Coletta, a pedido dele mesmo; pena que faltou espaço para publicá-lo em complementação à matéria da Folha:

Robert Maynard Hutchins (1899/1977) e Mortimer Jerome Adler (1902/2001), respectivamente presidente -- entre 1929 e 1946 -- e chanceler -- até 1951 -- da Universidade de Chicago; e professor de Filosofia também na UC, uniram-se na defesa do ideal clássico da formação universitária humanística contra aquilo que consideravam uma obsessão avassaladora com o especialismo profissionalizante nas instituições de ensino superior, nos Estados Unidos e no mundo do pós-Segunda Guerra. Ambos encaravam seriamente  as disciplinas componentes do trivium das universidades medievais -- lógica, gramática, retórica -- , associadas, mais tarde, a matérias como filosofia, história, psicologia etc, como indispensáveis à formação do cidadão livre; daí serem conhecidas há quase dois milênios como as artes liberais. A parceria Hutchins/Adler  frutificou no lançamento, em 1952, da magnífica e extensa coleção great Books of the Western World, com a chancela da Encyclopaedia Britannica, Inc. A genial dupla de pensadores-empreendedores do conhecimento acreditava no casamento do legado clássico da literatura, das artes, da história etc com a tipicamente americana fé no aprenda-sozinho-qualquer-coisa (teach-yourself-anything), cujo exemplo  mais resplandecente foi a trajetória pessoal do presidente Abraham Lincoln. A coleção era comercializada de porta em porta, continente norte-americano afora, pelos vendedores da Britânica, que, em seu sales-pitch, apelavam para os anseios de distinção cultural das famílias  de classe média que então vivam o boom de prosperidade do pós-guerra. 

Dois de seus volumes compõem o Syntopticon, guia de leitura para os demais 52 livros da coleção.

Além de reformador educacional na perspectiva da tradição humanística -- ex.: A Proposta Paideia; um Manifesto Educacional, 1982,aqui publicada pela UnB durante a gestão do reitor José Carlos  Azevedo -- Mortimer Adler era um prolífico autor de obras de popularização dessa cultura clássica, como Aristotle for Everyone Ten Philosophical Mistakes, entre muitos outros títulos. Recentemente a editora É Realizações, de SP, publicou um dos seus trabalhos mais úteis e conhecidos, Como  Ler Livros.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Um Conclave devassado.

Quem os "Cardeais" do Senado escolherão para presidir a poderosa Câmara Alta? Eis a dúvida que esta reportagem do Correio Braziliense de domingo, 6 de janeiro, a qual contou com minha participação, procura esclarecer. 



O conclave é tão antigo quanto a própria Igreja. Em votação secreta, os cardeais escolhem o novo papa logo após a renúncia e a morte do antigo sumo pontífice.
As disputas são travadas de maneira silenciosa, mesmo que a política e os interesses deem o tom das reuniões no Vaticano. Até 2017, a eleição do Senado era comparada ao rito católico, pois todas as negociações eram feitas de maneira discreta, com acordos fechados antecipadamente pelos caciques partidários. Tal tradição foi quebrada neste ano, principalmente por causa da renovação na Casa (85%). A disputa, para quem acompanha os bastidores da Esplanada, é amais emocionante dos últimos tempos, pois os cardeais, representados pelos caciques partidários, expõem as negociações de maneira aberta, sem pudores, pelo poder. “O xadrez é jogado numa sala aberta. Antes, os observadores precisavam olhar pelo buraco da fechadura”, disse um parlamentar experiente do Congresso. O detalhe é que os arranjos do Senado estão ligados à disputa na Câmara. E vice-versa. Com os acordos fechados em favor do deputado Rodrigo Maia — incluindo os integrantes do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro —, o senador eleito por São Paulo Major Olímpio, da mesma legenda do capitão reformado, lançou o nome à presidência da Casa. Por mais forte que possa ser uma candidatura apoiada pelo Planalto, é apenas um blefe para isolar a de Davi Alcolumbre (DEM-AP), pois, com o favoritismo de Maia na Câmara, é impossível imaginar dois presidentes do mesmo partido no Congresso. O adversário a ser batido pelos governistas é Renan Calheiros (MDB-AL), que enfrenta uma batalha paralela para confirmar a candidatura: o voto secreto na votação de 1º de fevereiro. A partir de decisão de Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a sessão será aberta. Renan sabe que, com isso, as chances reduzem por causa do desgaste diante da opinião pública. A princípio, os opositores de Renan esperavam uma reação imediata contra a liminar concedida por Mello, mas, possivelmente, ela não virá oficialmente do Senado. Explica-se: o cálculo é que as chances de o plantonista do STF, o presidente Dias Toffoli, e o substituto a partir do dia 13, ministro Luiz Fux, manterem a decisão de Mello são grandes. Assim, a estratégia dos aliados do alagoano se concentra no dia da votação, quando se evocaria no plenário o princípio de independência dos poderes.
            O plano se completa com mais um detalhe: no dia da eleição, na Presidência da Mesa, estará o senador mais antigo da Casa, José Maranhão (MDB-PB), aliado de Renan. Fato dado, o Supremo, a partir de tal lógica, não teria mais como interferir. Caso nada disso dê certo, e a votação seja aberta, o emedebista deverá desistir da disputa, embolando ainda mais um jogo com pelo menos nove candidatos. Além de Renan, Alcolumbre e Olímpio, estão no páreo Tasso Jereissati (PSDB-CE), Simone Tebet (MDB-MS), Esperidião Amin (PP-SC), Álvaro Dias (Pode-PR), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Ângelo Coronel (PSD-BA). Com a eleição aberta, o favorito na disputa seria Tasso, que apenas deixou que o próprio nome circulasse para derrubar Renan. E, caso chegue como favorito, passará o bastão para Simone Tebet, mantendo a tradição de oferecer ao maior partido da Casa — o MDB, com 12 parlamentares. A legenda pode, assim, presidir o Senado pela 12ª vez. Em apenas dois momentos, outros partidos assumiram o comando: o PT, em 2007, com a saída de Renan, e o DEM (antigo
PFL), que ocupou a cadeira entre 1997 e 2001, com o baiano Antônio Carlos Magalhães. “Seja qual for o vitorioso, não pode ficar com o carimbo de apoio total do Planalto. É um ônus para o parlamentar e para o governo”, afirma Paulo Kramer, professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). “Os senadores são elefantes amarrados em pés de alface. Topam aquele papel enquanto
é conveniente, caso contrário, destroem toda a horta”, diz um parlamentar, lembrando uma frase que circula na Casa sobre a aparente passividade dos políticos. O que está em jogo é até que ponto a independência entre Planalto e Congresso atrapalha o Legislativo. A candidatura de Maia, por exemplo, se consolida com o apoio do PSL, que tem uma bancada eleita de 52 deputados. Ao longo da semana, PRB e PSD também
anunciaram a adesão ao parlamentar fluminense. As negociações tiraram do jogo João Campos (PRB-GO), considerado um nome forte na disputa. Mas, ao mesmo tempo, abriram espaço para a oposição questionar o alinhamento com o Planalto: “Sou candidato à Presidência da Câmara por um amplo campo republicano e democrático”, disse Marcelo Freixo (PSol-RJ).
            “É tempo de observar os movimentos. O jogo ainda não começou por completo, e esses apoios recebidos por Maia antes da partida mais o atrapalham do que o ajudam”, afirma um deputado considerado independente. “A vinculação com o governo pode ser um tiro pela culatra, basta lembrar do caso Severino Cavalcanti.” O parlamentar se refere ao então deputado pernambucano do baixo clero, que derrotou o governista Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), no segundo turno, por 300 a 195 votos. Severino lançou candidatura independente. No primeiro turno, derrotou José Carlos Aleluia e o próprio Bolsonaro, na época um parlamentar considerado folclórico.
            Moral da história: o baixo clero pode até não ser convidado para as reuniões do conclave, mas pode atrapalhar. E muito.


 “Seja qual for o
vitorioso, não pode
ficar com o carimbo
de apoio total do
Planalto. Éum ônus
para o parlamentar
e para o governo”
Paulo Kramer,
professor do Instituto de
Ciência Política da UnB.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Bolsonaro precisa manter aceso o sentimento popular para pressionar o Congresso.

Oi, pessoal! Vejam a coluna “Brasília DF”, de Denise Rothenburg, no Correio Braziliense de terça-feira (3/1). Sou citado na abertura. Abração p/todos!


Depois dos primeiros discursos do presidente eleito, muito se falou sobre a necessidade de “descer do palanque”, que a eleição acabou, etc. Porém, quem o conhece garante que não será bem assim. “Ele simplesmente não pode fazer isso”, diz o professor Paulo Kramer. O presidente Jair Bolsonaro optou por queimar a ponte com o presidencialismo de coalizão. Portanto, precisa manter aceso o sentimento popular para pressionar o Congresso a apoiar a agenda do Poder Executivo.
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É esse sentimento de resgate da bandeira verde e amarela, e da necessidade do ajuste fiscal e das reformas, que ele pretende usar nos próximos meses. Só tem um problema aí, diz o professor: “Como alertava Max Weber, o carisma é inerentemente instável e fugaz, logo, a janela de oportunidade para implementar os pontos prioritários dessa agenda é estreita”. Portanto, o governo vai acelerar nesses primeiros meses e tratar de ganhar tempo onde for possível.

Guedes quer “desjudicializar” a economia

Muitos se perguntaram o que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, comentavam aos cochichos na transmissão de cargo de Guedes ontem à tarde. Era a necessidade de “desjudicialização” das matérias tributárias e a simplificação do tema na Constituição. Vem muita coisa por aí.

Guedes por Rodrigo

A presença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na transmissão de cargo de Paulo Guedes, já estava acertada há tempos e a proximidade entre os dois foi fundamental para ajudar a levar o PSL a fechar com a reeleição do deputado para mais dois anos de comando na Casa. Até aqui, avisam alguns, Rodrigo Maia é quem tem mais trânsito e experiência para garantir a agenda de reformas econômicas.

Governo fora

A proximidade entre Paulo Guedes e Rodrigo Maia não garante o apoio fechado do governo ao demista. O presidente Jair Bolsonaro quer ficar distante dessa disputa. Prefere isso a fazer como a presidente Dilma Rousseff, que apoiou Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra Eduardo Cunha (MDB-RJ) e perdeu.

Enquanto isso, no Clube do Exército…

Ao falar de improviso na transmissão de cargo do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, o presidente Jair Bolsonaro mencionou que o ex-ministro general Joaquim Silva e Luna “não vai colocar o pijama”. Ao fim da cerimônia, o general disse ao jornalista Leonardo Cavalcanti que ficou surpreso com a referência e garantiu não saber qual cargo poderá ocupar.

Cada um no seu quadrado

Poucos deputados prestigiaram a posse de Sérgio Moro na Justiça. A maioria preferiu mesmo ir ao Planalto, Agricultura, Desenvolvimento Social, Turismo e Saúde, onde os ministros são políticos. Com Moro, estavam o Judiciário e policiais. Em peso.

Guedes, o informal/ O ministro da Economia, Paulo Guedes, não é muito chegado às menções protocolares. Em seu primeiro discurso oficial, dispensou a extensa nominata. Apenas saudou “as autoridades” e agradeceu a todos, “em primeiro lugar, minha família”.
Padrinhos/ Na posse, destaque para Winston Ling e Bia Kicis, que apresentaram Paulo Guedes a Jair Bolsonaro em novembro de 2017. “Jamais imaginamos que hoje estaríamos todos aqui”, disse a deputada. Guedes, à época, ainda sonhava com a candidatura do empresário Luciano Huck.
O Carlos das redes e do Rolls-Royce/ Funcionários que cuidam do Twitter do Planalto não têm feito o expediente completo. Ontem, houve até quem não aparecesse, uma vez que a gestão das redes sociais palacianas ainda não está definida. A culpa, agora, recai sobre Carlos Bolsonaro (foto) — o filho que acompanhou o presidente sentado sobre parte da capota e com os pés sobre o estofado do Rolls Royce presidencial . Há inclusive quem diga, “bem, já que o Carlos tuíta tudo…”
Por falar em servidores…/ Ao exonerar todos os servidores da Casa Civil, não sobraram funcionários nem para atender o telefone. O ministro Onyx Lorenzoni e seus principais assessores tiveram que resolver tudo sozinhos. A intenção da equipe é que, até amanhã, as coisas já estejam normalizadas. Pelo menos, o novo ministro não encontrou computadores apagados e sem HD, como ocorreu na passagem de Dilma para Michel Temer.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Melhores livros 2018 listados pelos pesquisadores do American Enterprise Institute.

O American Enterprise Institute, um dos mais tradicionais e respeitados think-tanks (institutos de estudos políticos, econômicos e sociais) de Washington, D. C., usina de ideias e propostas de um conservadorismo liberal e moderado, pediu aos seus pesquisadores que listassem os melhores livros que leram neste ano. Aí está o resultado!






The library in AEI’s headquarters in Washington, DC.

Arthur Brooks, President and Beth and Ravenel Curry Scholar in Free Enterprise



What is wrong with people? Answering that question is my job as a social scientist, but it has probably occupied a good deal of your mental capacity as well in America’s increasingly Hobbesian culture. Two books this year offer an answer: Greg Lukianoff and Jonathan Haidt’s “The Coddling of the American Mind” and Ben Sasse’s “Them: Why We Hate Each Other — and How to Heal.”



Messrs. Lukianoff and Haidt take on the problems of campus culture through the lens of safety — not that we have too little of it but that we have too much. After a generation of protecting kids from danger, both real and imagined, we have left them with the social equivalent of a peanut allergy, hypersensitive to offense and unable to cope with ordinary disagreement. Mr. Sasse takes on America’s epidemic of loneliness, in which more and more Americans are isolated and disconnected from their communities. This leads to pathologies that range from the distressing (drug abuse, suicide) to the absurd (Twitter trolling). Both books offer practical solutions, from raising “free-range kids” to buying a plot in your local cemetery.



This contribution originally appeared in The Wall Street Journal, here.



Zack Cooper, Research Fellow, Foreign and Defense Policy



Dr. Kori Schake’s “Safe Passage: The Transition from British to American Hegemony” provides an insightful look at the uneasy handoff from Pax Britannica to Pax America. She demonstrates just how difficult it was for Britain and the United States to manage their power transition, despite the great deal the two had in common.



Schake argues that the peaceful transition was highly contingent and is unlikely to be replicable. After all, once the United States took over as the dominant hegemon, leaders in Washington changed the rules of the international order to better match their interests and preferences. It just so happened that America and Britain shared histories, languages, cultures, and political philosophies. As a result, Schake concludes “the passage from British to American hegemony suggests that a peaceful transition from American to Chinese hegemony is highly unlikely.” Unfortunately, therefore, “Safe Passage” suggests a difficult path for US-China relations.



Sadanand Dhume, Resident Fellow, Foreign and Defense Policy



In “Reimagining Pakistan: Transforming a Dysfunctional State,” Husain Haqqani, a former Pakistani ambassador to Washington, goes back to the drawing board to ask a fundamental question: What should the nuclear-armed Islamic republic do in order to ensure a peaceful and prosperous future?



Underlying Haqqani’s prescription is a key insight: Carved out of the Muslim-majority parts of British India in 1947, Pakistan has long been an ideological state, dominated by its military. This has slowed the country’s development by allowing the army to claim a disproportionate share of the national budget. (Pakistan spends around seven times more on its military than on primary education.) It also makes the state unduly suspicious of linguistic, regional, and religious diversity, which the army tends to view as threats to national unity.



Haqqani would like Pakistan to outgrow an ideology based on “Islamic nationalism, pan-Islamism, and competing with ‘Hindu India.’” Instead, it should make peace with its neighbors, embrace its own diversity, and focus more on trade and economic development. It’s sane advice, worth grappling with even if the odds of the current dispensation in Islamabad following it appear slim.



Nick Eberstadt, Henry Wendt Chair in Political Economy



For me the most thought-provoking read this year may just have been Liu Cixin’s “The Three-Body Problem,” the first volume in his acclaimed sci-fi trilogy on an epochal intra-galactic war between Trisolaris and China (well, technically, Earth).



I guess I enjoy science fiction as much as the next nerd, and the majestic sweep of Liu’s vision is indeed enthralling. But what really caught me was Liu’s shocking, unflinching depiction of modern-day China.



In closed societies sci-fi writers are often granted more latitude than poets and novelists; “Three-Body Problem” is a stunning case in point. It begins with the most horrifying account you will ever read of a mob murder during the Cultural Revolution, and ends in the childless, lonely, moral wasteland of early 21st Century Beijing. This is a powerful anti-Communist polemic, a painfully moving description of life under the Beijing dictatorship. And its widespread popularity in China gives me hope.



Jonah Goldberg, Fellow and Asness Chair in Applied Liberty



In writing my own book, “Suicide of the West” (which, according to the rules of the Shameless Author’s Guild, I must plug here), I expended a lot of mental energy trying to figure out why political correctness is such a powerful force today. After all, depending on how you date these things, political correctness has been around for generations, and yet it seems a much more powerful force today.



One of the answers I’ve arrived at, and explore in my book, is that today’s generation of young people, now entering or just having graduated college, was raised and socialized to be steeped in not merely politically correct doctrines, but also in a specific elite culture that makes them much more open to those doctrines. Children raised in many middle- and upper-class communities are discouraged from taking risks or enduring uncomfortable interpersonal conflicts. Safety — both physical but also mental — is the highest priority in schools and communities. Feeling “unsafe” or having one’s self-esteem threatened is forbidden. This is nigh-upon the perfect training for a generation to embrace political correctness and all that comes with it, from trigger warnings to safe spaces. Jonathan Haidt and Greg Lukianoff’s “The Coddling of the American Mind” fleshes all of this out brilliantly, clearly, and humanely. It’s a hugely important book not just for policymakers and educators but for parents and young people as well.



Ben Ippolito, Research Fellow, Economic Policy



“Bad Blood: Secrets and Lies in a Silicon Valley Startup,” by John Carreyrou, tells the story of one of the most audacious frauds in recent American history. In 2004, then 19 year-old Elizabeth Holmes dropped out of Stanford University to found Theranos, a biotech firm promising technology that would revolutionize blood testing. Theranos quickly became the darling of Silicon Valley, and by 2014 Elizabeth Holmes was the youngest self-made female billionaire in America. Within a few short years, she would be charged with “massive fraud” by the SEC.



The extent of deceit chronicled by Carryrou is almost too absurd to believe; however, the book reaches its crescendo as Holmes’ empire begins to crumble. Carryrou, whose investigative reporting ultimately exposed Theranos, finds himself in the crosshairs of an Elizabeth Holmes desperate to keep the Theranos myth alive. This book is about as close to a thriller as the real world gets.



Aparna Mathur, Resident Scholar, Economic Policy



One of my favorite books this year is by Tim Marshall; it is titled “Divided: Why We Are Living In An Age Of Walls.” It stands out because it does a fantastic job of explaining divisions within societies and across countries through the physical symbol of the wall. Why were walls established? To prevent outsiders from entering the country, or to stop insiders from leaving? It describes the history and genesis of conflicts in places around the world, such as Israel-Palestine, India-Pakistan, Northern Ireland and the rest of UK, and in countries in the Middle East, where walls have existed for centuries or new ones have come up. In some cases, the walls are physical, in others they exist in the minds of people inhabiting the land. In all cases, they symbolize deep divisions and an inability to let go of the past and to carve out a conciliatory future.



As the debate over the construction of a wall separating the US from its southern neighbors continues, we would do well to learn from the painful legacies of these historic stories. I am now reading Tim Marshall’s even more popular book, “Prisoners of Geography,” which explores the idea that the physical geography — mountains, rivers, plains — of a country often explains a lot about its economic and political history, as well as its future. Both books are highly recommended for anyone with an interest in learning about global conflict, the unique stories of particular countries, and how these stories fit into the shared narrative of a global people. We are all affected by walls and the divisions they bring. After reading this book, I found myself staring at the world map frequently — with amazement, and a new sense of understanding.



Mark J. Perry, Scholar, Economic Policy



At the age of 87, the prolific Thomas Sowell released his 45th book this year — “Discrimination and Disparities” — which amazingly was his 10th book in the last decade! Like his other books, the latest effort from Sowell is readable and accessible for the average reader, while at the same time being thoroughly supported with rigorous research and rich with empirical evidence.



“Discrimination and Disparities” focuses on how economic disparities in outcomes arise, with a discussion of the various explanations for those disparities. While discrimination or genetics are frequently identified as the main factors for disparities in outcomes, Sowell persuasively presents a case — backed by data, logic, and factual evidence from across the globe — that “grossly unequal distributions of outcomes are common, both in nature and among people, in circumstances where neither genes nor discrimination are involved.”



While Sowell’s goal in this book is not to propose any public policy prescriptions to discrimination and disparities, he does a masterful job of exposing how previous policies have been counterproductive and unsuccessful. More than any other author alive today, Thomas Sowell is the master of “idea density” and he can pack more wisdom and insight into a single sentence than what typically takes an entire paragraph or chapter for even the best writer.



“Discrimination and Disparities” is filled with numerous examples of Sowell’s pithy wisdom, and it’s a joy to read.



James Pethokoukis, Editor, AEIdeas, and DeWitt Wallace Fellow



My podcasting duties require lots of reading as prep to interview authors of new books, and some of the books I liked the most and to which I have since returned many times include “Clashing over Commerce” by Douglas Irwin and “Capitalism in America” by Alan Greenspan and Adrian Wooldridge. The pair make great companions if you are looking for readable histories of the American economy. And given their emphasis on the importance of economic openness and dynamism, they have arrived at an opportune time.



A smaller but perhaps equally important volume from my perspective is “Why Information Grows” by Cesar Hidalgo. The author, a statistical physicist by training, lays out his view of economies as “collective computers” formed of myriad human networks. And the smarter those networks are and the more connections that are made, the greater the computational capacity of that economic computer. In other words, pro-growth economics is pro-connection economics. Again, another timely book.



Danielle Pletka, Senior Vice President, Foreign and Defense Policy



In the ocean of erudition that is AEI there is an overabundance of material to read. But I must confess, it was a work of fiction that stayed with me longest this year. In 2012, Adam Johnson published “The Orphan Master’s Son,” a book for which he later won the Pulitzer Prize. Don’t hold that against the book; it is fantastic, accessible, well-written, lacking in pretense, moving, and most importantly, it is the one work I have read that opened a keyhole into the Kafkaesque hell that is the Democratic People’s Republic of Korea.



For those of us in foreign policy at AEI, we recognize the menace of Pyongyang’s nuclear weapons, the threat its army represents not only to our forces in Korea, but to our allies in the South. Our Asia scholars have written eloquently about strategies to confront, to contain, and to manage the growing danger from the evil Kim family. Nick Eberstadt has focused on the human misery, famine, concentration camps, and more that are all features of Kim’s juche utopia.



But what is it really like to live there? To think as North Koreans do? To suffer their fate? To share their worldview? These and more are the fruits of this stunning book. Grab it, read it over the holidays. It will stay with you too.



Dalibor Rohac, Research Fellow, Foreign and Defense Policy



My nomination is for Tyler Cowen’s “Stubborn Attachments: A Vision for a Society of Free, Prosperous, and Responsible Individuals,” a much-needed manifesto for a moral outlook that prioritizes sustainable economic growth over most other social goals.



The book is a perfect antidote to the zero-sum thinking that underlies much of the populist reaction currently underway in Western politics. Besides arguing that practically all economic, political, and social problems facing our societies could be addressed more easily with a heavy dose of economic dynamism, the book also makes a compelling case for lengthening our time horizons and discounting the future much less heavily than most of us currently do.



Finally, Cowen’s is not an unconstrained vision of just more growth — rather, it is embedded in a framework based on respect for human rights, which places severe restrictions on what policies different societies should pursue.



Christina Hoff Sommers, Resident Scholar, Politics and Public Opinion



Audiobooks are my salvation. According to my Audible.com purchase history, I have listened to twenty-seven this year. There were a few duds, but three were so spectacularly good they took over my life and I mourned for them when they were over: “Proust’s Duchess: How Three Celebrated Women Captured the Imagination of Fin-de-siècle Paris” by Caroline Weber, “Death Comes for the Archbishop” by Willa Cather, and John Carryou’s “Bad Blood: Secrets and Lies in a Silicon Valley Start-Up.”



Then there is Yuval Noah Harari’s history of our species, “Sapiens: A Brief History of Humankind” — how we went from being unexceptional primates to the most formidable animal on the planet. Listening to it was like being in a college class with the world’s greatest professor.



And thank heaven for Greg Lukianoff and Jonathan Haidt’s “The Coddling of the American Mind: How Good Intentions and Bad Ideas are Setting up a Generation for Failure,” David Frum’s “Trumpocracy: The Corruption of the American Republic,” and Steve Pinker’s “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress.” Each is a model of cogency, clarity, and humane understanding.



But “Why Honor Matters” is the book that made me the happiest and proudest. The author is my philosophy professor/stepson Tamler Sommers. In my unbiased opinion, his exploration of honor and the critical role it plays in a successful life and society is charming, brilliant, and persuasive. Also, it’s just out on Audible!



Ryan Streeter, Director of Domestic Policy Studies



Geoffrey West’s “Scale: The Universal Laws of Growth, Innovation, Sustainability and the Pace of Life in Organisms, Cities, Economies, and Companies” is a grand treatise on how the mathematical laws governing nonlinear growth in the biological world appear with remarkable consistency in the growth of cities and organizations. One does not have to accept or support all of his ideas about social organization or the future to be dazzled by the mathematical consistency of everything from cell growth to urban growth. Aside from learning that Godzilla is physiologically impossible (phew!), readers will come to see the cities and towns where they live in new ways.



Dennis Rasmussen details the most important friendship of the Scottish Enlightenment in his accessible “The Infidel and the Professor: David Hume, Adam Smith, and the Friendship that Shaped Modern Thought.” Even scholars familiar with David Hume and Adam Smith will enjoy new details of how the relationship between the irreverent Hume and the cautious Smith was central to their joint impact on future inquiry into economics, religion, politics, and more. The book is a good window into Hume’s influence on Smith, and the latter’s loyalty to the former despite the complications Hume’s subversiveness created for Smith.



Stan Veuger, Resident Scholar, Economic Policy



As our trade policy continues to deteriorate to the point where it now involves the taking of hostages, it may be reassuring to read Douglas Irwin’s “Clashing over Commerce: A History of US Trade Policy,” published in 2017 but read by your recommender in 2018: things have been worse! On the other hand, your takeaway may well be that things could get significantly worse.



If an 832 page tome feels a little daunting to you, Professor Irwin’s oeuvre offers shorter options as well. In “Against the Tide: An Intellectual History of Free Trade,” which comes in at a mere 280 pages, you will discover that international economics is not a field in which Horace and Plato excelled. And if, in order to own the libs, you’d rather read something even shorter than that, I would refer you to “Three Simple Principles of Trade Policy,” by the same author, published by AEI Press in 1996. It will teach you that a tax on imports is a tax on exports; that businesses are consumers; and that trade imbalances reflect capital flows. If only these lessons were internalized by the trade policy powers that be!



AEI scholar Claude Barfield concurs with Dr. Veuger’s recommendations.



Matt Winesett, Managing Editor, AEIdeas



Charles Krauthammer, who passed away in June this year, is still managing to impart his wisdom to his legions of fans. “The Point of It All,” edited and published posthumously by his son Daniel earlier this month, is Krauthammer at his best: witty, clear-headed, and above all deep on topics from baseball to bioethics, space travel to foreign policy. Each entry includes the date of publication at the end, but it’s almost unnecessary: Columns written decades ago remain as relevant today as they were then, and even the more ephemeral-seeming pieces — on Obama and Trump’s differing worldviews and policies, for instance — are principled enough to remain worth reading for decades to come.



I also read Charles Dickens’ “A Tale of Two Cities” for the first time, which somehow went unassigned throughout high school. It’s not only the best novel I read this year, but the best novel I’ve read in several years — probably because it’s basically a fusion of Edmund Burke’s take on the French Revolution and Christopher Nolan’s take on Batman. (Really.)